Área do Paciente

Orientações sobre cirurgias e procedimentos

Esta cirurgia,tem como objetivo a fragmentação e retirada do cálculo do ureter e/ou dos rins (quando pequeno), por método endoscópico. Não há necessidade de incisões ou cortes, pois o procedimento é realizado pelo orifício da uretra, permitindo então acessar as vias urinárias com menor agressividade.
Esta cirurgia endoscópica é realizada em centro cirúrgico sob anestesia, que pode ser geral ou regional, dependendo da escolha do anestesista para cada caso.
A cirurgia inicia-se pela passagem de equipamento de endoscopia, o ureteroscópio, pela uretra, de onde ele atinge a bexiga e segue em direção ao ureter até a identificação do cálculo ou prossegue até o rim em casos de cálculo renal. Aparelhos de RX ajudam o cirurgião durante todo o procedimento, com inserção de cateteres, guias e sondas. Uma vez localizada, a pedra é então fragmentada por uma fonte de energia geralmente mecânica ou laser. Os fragmentos maiores podem então ser retirados com auxílio de pinças ou cestas especiais. Nos casos de cálculos nos rins, na maioria das vezes, os cálculos são fragmentados em pedaços muito pequenos, com laser, para serem eliminados espontaneamente.
Ao final da cirurgia, se houver muita reação inflamatória na região onde se encontrava o cálculo, risco de infecção ou possibilidade de aparecer outros cálculos com frequência, pode ser necessária a colocação de um cateter chamado duplo J: trata-se de um fino tubo maleável, posicionado dentro do ureter com uma extremidade dentro do rim e outra na bexiga. A função deste cateter é impedir que haja obstrução do ureter no período pós-operatório. Pode também ser colocada na bexiga, para drenagem de urina nas primeiras horas após o procedimento.
A alta ocorre nas próximas 24h após o procedimento e o retorno às atividades normais ocorre assim que o paciente sinta-se apto.

A cirurgia renal percutânea é a forma menos agressiva de tratamento para cálculos renais grandes e que não podem ser tratados adequadamente pela fragmentação com os aparelhos de litotripsia extracorpórea (LECO) ou pela endoscopia flexível.
No passado, o tratamento cirúrgico dos cálculos renais era realizado por grandes incisões, com longos períodos de recuperação. Hoje, a cirurgia percutânea é realizada através incisão de 1 cm na pele da região dorsal, com recuperação muito mais rápida e muito menos danos ao rim.
A cirurgia é realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral. Inicialmente é colocado um cateter no ureter, utilizando um instrumento chamado cistoscópio. A função deste cateter é a injeção de contraste no rim, o que permitirá identificação do cálculo renal e também a anatomia do órgão.
O urologista punciona o rim com uma agulha fina, introduz um fio-guia e dilatadores. Assim, ele poderá finalmente introduzir o nefroscópio, outro endoscópio que, conectado a uma câmera, permite avaliação da parte interna do rim, localizar o cálculo, fragmentá-lo e retirar os fragmentos com pinças. Ocasionalmente, o cálculo renal é muito volumoso e, para ser completamente retirado, há necessidade de realização de mais de uma punção no rim.
Assim que os fragmentos são retirados, o urologista definirá se há necessidade de drenagens com sondas e cateteres, que são utilizados com muita frequência. O cateter duplo J pode ser utilizado como forma de dreno interno, para impedir que coágulos ou fragmentos de cálculo obstruam o canal do ureter. O paciente recebe alta com o cateter, totalmente implantando dentro do corpo, sem qualquer exteriorização.
Outra forma de drenagem é a sonda de nefrostomia, que é introduzida dentro do rim na área operada, através do pequeno orifício que é feito na região lombar para a realização da cirurgia.

A cirurgia mais utilizada para correção da Incontinência Urinária de esforço feminina é o Sling de Uretra Média. Essa cirurgia consiste na colocação de uma faixa de tecido (usualmente sintético) sob a porção média da uretra, de forma a corrigir a causa da Incontinência. O Sling de uretra média tem melhores resultados (taxa de cura de 90% em 10 anos de seguimento) do que a colpossuspensão de Burch, técnica previamente utilizada para correção da Incontinência Urinária. Além disso, possui menor taxa de complicações e recuperação pós operatória mais rápida do que a cirurgia de Burch.
A inserção da tela é feita através de uma incisão na parede anterior da vagina e duas pequenas incisões acima do púbis. A anestesia utilizada geralmente é a raquianestesia. Logo após o procedimento, a paciente permanece com sonda vesical de demora, a qual é retirada logo antes da alta hospitalar, usualmente menos de 24 horas após a cirurgia.

O estudo urodinâmico é um exame que estuda o funcionamento da bexiga e da uretra, nas fases de enchimento e esvaziamento da bexiga, podendo ser realizado em homens, mulheres e crianças.
Ele pode estar indicado em casos de incontinência urinária, disfunções miccionais, prolapsos genitais, infecções de trato urinário de repetição, doenças neurológicas que afetem a micção, aumento benigno da próstata (principalmente se houver indicação de tratamento cirúrgico).
Ele é realizado através de equipamento computadorizado composto por transdutores de pressão, volume e fluxo urinário, que são conectados ao paciente através de sondas de fino calibre introduzidas com anestesia local. Para realização do exame é necessária a introdução de duas pequenas sondas na uretra e uma pequena sonda retal. Apesar do desconforto da introdução da sonda, o exame é indolor e bem tolerado pelo paciente, não sendo necessário sedação.
Como preparo, o paciente deve: Comparecer à clínica uma hora antes do horário marcado, para que comece a encher a bexiga. O paciente pode comer antes do exame e tomar suas medicações de uso contínuo conforme prescrito. As mulheres devem aparar os pelos pubianos.
A urodinâmica está contra-indicada quando há infecção urinária (ardência ou dor para urinar), mas não está contra-indicada na menstruação.
Apesar do diminuto calibre das sondas utilizadas, o paciente pode apresentar dor ou sangramento ao urinar após a realização do exame. Nesse caso, indica-se ingestão volumosa de água e analgésicos comuns.
Não é comum ocorrer infecção urinária após o exame, de forma que antibióticos profiláticos não são habitualmente prescritos.
A CLIU conta com uma urologista mulher para que as pacientes do sexo feminino sintam-se mais à vontade durante a realização do exame.

Foi colocado um cateter no ureter que pode provocar sintomas em algumas pessoas (ou não gerar sintoma algum).

São eles:

 - Sangue na urina.
 - Ardência ao urinar.
 - Ir ao banheiro com maior frequência.
 - Dor ou desconforto na região inferior do abdome ou na região lombar.

A ocorrência destes sintomas não significa qualquer complicação e devem ser tratados com os analgésicos prescritos.
Naquelas pessoas nas quais os sintomas são muito intensos, sem se conseguir tolerá-los, pode-se discutir a retirada precoce do cateter. Tal atitude pode causar cólicas renais, visto que o objetivo do cateter é evitá-las após o procedimento.
Não há restrições alimentares.
As atividades cotidianas podem ser realizadas a depender do desconforto gerado.
Não praticar atividades físicas até a retirada do cateter.
O cateter é retirado após 14 dias aproximadamente.
Em caso de febre, ligar para seu médico.

A correção cirúrgica da Incontinência Urinária através do sling retropúbico é uma técnica minimamente invasiva, que permite que a paciente receba alta hospitalar com menos de 24 horas da realização do procedimento. Após a completa recuperação anestésica, a sonda vesical de demora é retirada, e se a paciente apresentar micção espontânea, recebe alta hospitalar. Caso contrário, a sonda vesical pode ser mantida por tempo mais prolongado, a ser definido pelo urologista assistente.
Não há restrições alimentares.
As atividades cotidianas podem ser realizadas a depender do desconforto gerado, mas não se deve realizar atividades físicas, esforços físicos e atividade sexual por, no mínimo, 30 dias.

Não fazer esforço físico (atividade física ou carregar peso) por 30 – 40 dias.
A alimentação pode ser a habitual, evitando-se alimentos muito gordurosos nos primeiros dias.
As atividades cotidianas podem ser retomadas gradativamente, após melhora de alguma dor que eventualmente tenha ocorrido.
O retorno ao trabalho deve ser discutido com o cirurgião.
Caso haja algum material para exame patológico (“biópsia”), deve-se resgatar o laudo e levá-lo ao consultório no retorno. O laboratório para o qual o material foi encaminhado deve ser informado ao paciente durante a internação, pelo cirurgião ou pela equipe de enfermagem.

Evitar esforço físico por pelo menos 15 dias.
Pode haver sintomas urinários nos primeiros dias ou até semanas após o procedimento, como ardência ao urinar, pouco sangue na urina, ida frequente ao banheiro durante o dia e/ ou à noite.
Não há restrições alimentares. Normalmente, a hidratação oral abundante é recomendada.
Deve-se resgatar o exame patológico (biópsia) dos fragmentos de próstata retirados. O laboratório para o qual foi enviado este material deve ser informado ao paciente durante a internação, pelo cirurgião ou equipe de enfermagem.
O retorno ao trabalho deve ser discutido com seu médico

Não realizar atividade física por 30 – 40 dias
Não há restrições alimentares; evitar alimentos com muita gordura nos primeiros dias.
Em casa o paciente pode ser independente, ir ao banheiro, caminhar; não deve ficar acamado.
A sonda vesical será retirada no consultório médico, na data acertada pelo seu cirurgião. Em hipótese alguma a sonda vesical deverá ser retirada sem consentimento do cirurgião.
Após a retirada da sonda, haverá incontinência na maioria dos homens. A continência será recuperada também pela grande maioria, o que pode demorar poucos dias até alguns meses.
Deve-se resgatar o exame patológico da próstata (“biópsia”) e leva-lo ao consultório. O laboratório para o qual foi levado o material retirado na cirurgia deve ser informado ao paciente durante a internação, pelo cirurgião ou equipe de enfermagem

No dia do procedimento e no dia seguinte, manter repouso e colocar compressa gelada na bolsa testicular: no dia do procedimento de 1/1h; no dia seguinte de 2/2H por 15 minutos de cada vez.
Manter suspensório escrotal ou short de banho justo por alguns dias (até desaparecer o desconforto nos testículos).
Evitar atividades físicas por 1 semana, pelo menos, ou conforme orientação do médico assistente.
Após 2 dias de procedimento, pode-se retornar ao trabalho, caso haja pouca dor. Contudo o tempo de afastamento deve ser discutido com seu médico.
Deve-se realizar espermograma, no mínimo, 60 dias após a vasectomia. Antes de se ver o resultado deste exame mostrando ausência de espermatozoides, o casal deve usar outro método contraceptivo.

Observação: Não realizamos este procedimentos pelos convênios Allianz, Assefaz, Bradesco,Cassi, Golden, Postal Saúde.

informações sobre doenças urológicas

Os tumores do parênquima renal correspondem a 2-3 % de todas as neoplasias malignas e têm uma incidência de 30 mil casos novos/ano e 12 mil mortes/ano nos Estados Unidos. No Brasil estima-se uma incidência de 7-10 casos/100 mil habitantes/ano. São duas vezes mais frequentes nos homens que nas mulheres e ocorrem principalmente dos 50 aos 70 anos de idade. Existem vários tipos histológicos de tumores malignos no rim: carcinoma de células claras (70-90%), papilíferos (10-15%), cromófobos (4-5 %), ductos coletores (1%) e sarcomatoides (1%). A diferenciação histológica (Grau histológico de Fuhrman) é importante e são classificados em 4 graus e quanto maior o grau, mais agressivo é o tumor.

Diagnóstico
O ultrassom abdominal contribui para o diagnóstico de grande número de tumores incidentais, isto é, tumores assintomáticos, iniciais e localizados. Quando o tumor provoca sintomas, os principais são a dor lombar, hematúria (sangue na urina) e massa palpável no abdome, além de outros sintomas inespecíficos como emagrecimento, febre e hipertensão. Os métodos de diagnóstico e estadiamento principais, além do ultrassom, são a tomografia computadorizada, e a ressonância nuclear magnética. A cintilografia óssea está indicada nos casos de tumor avançado com dor óssea e elevação de fosfatase alcalina (exame laboratorial). Outros exames laboratoriais podem estar alterados e o paciente apresentar anemia ou elevação das hemácias e plaquetas, eritrocitose, elevação do VHS, desidrogenase sérica elevada e hipercalcemia.

Tratamento
É indicada a nefrectomia (cirurgia para a remoção do tumor), que pode ser parcial ou radical. Em tumores localizados pode-se realizar a retirada de parte do rim com segurança, principalmente em tumores < 4 cm. A nefrectomia radical consiste na retirada total do rim e da gordura em torno do órgão. É realizada por via aberta ou laparoscópica, dependendo do estadiamento tumoral e da experiência do cirurgião,sendo a laparoscopia o “padrão-ouro” nas equipes em que haja cirurgião habilitado. A CLIU conta com equipe que possui ampla experiência em cirurgias laparoscópicas urológicas, com profissionais habilitados a oferecer o que há de mais atual no tratamento cirúrgico laparoscópico dos tumores urológicos. Após a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e a imunoterapia não são indicados em tumores avançados pela baixa resposta e toxicidade. Novos tratamentos estão sendo utilizados como, por exemplo, os medicamentos antiangiogênicos, com boa perspectiva de resposta (Quimioterapia em comprimidos) . A sobrevida vai depender do estadiamento tumoral, do grau tumoral e em 5 anos é de 60-90% em tumores restritos ao rim e de 0-15% em tumores com metástases.

Os tumores do sistema excretor, isto é, dos cálices, da pelve renal e ureteres são do mesmo tipo histológico do câncer de bexiga e são relacionados muitas vezes ao tabagismo. Sintomas O principal é a hematúria micro ou macroscópica (sangue na urina visto no exame urinário ou a “olho nu”).
Diagnóstico
É feito por ultra-som, urografia excretora, tomografia e ressonância magnética.
Tratamento
Consiste, na maioria das vezes, em nefroureterectomia (retirada do rim e ureter) com retirada de parte da bexiga, no local da entrada do ureter. Em casos selecionados (em rim único e casos iniciais, por exemplo) pode ser realizada a ressecção endoscópica com cauterização das lesões. A quimioterapia pode ser usada nos casos avançados, mas com baixa resposta.

O câncer de testículo é o tumor mais frequente nos homens entre 15 a 35 anos de idade, apresentando alta possibilidade de cura nas lesões iniciais. São tumores que respondem bem à quimioterapia e, alguns, à radioterapia. A incidência deste câncer é de 6 a 11casos para 100 mil homens no mundo, sendo que no Brasil é de 2,2/100 mil homens.

Diagnóstico
Ao se examinar os testículos,se encontram nódulos ou massas, normalmente indolores à palpação, com o epidimo normal, a não ser em casos avançados. O ultrassom escrotal tem alta sensibilidade e mostra a área do nódulo. O RX de tórax, tomografia ou ressonância devem ser realizados como métodos de imagem para estadiamento. O diagnóstico diferencial é com orquiepididimite, hidrocele, hérnia encarcerada, torção testicular e tuberculose. Da mesma forma que as mulheres realizam o autoexame da mama, os homens devem apalpar os testículos e observar possíveis alterações na região, pois quando a doença é detectada precocemente, as chances de cura são muito grandes.

Tratamento
O tratamento inicial é cirúrgico: através de um pequeno corte baixo no abdome, o testículo é exposto e então realiza-se a biópsia no mesmo instante. Se o resultado for positivo para câncer, o testículo é retirado, o que não interfere na função sexual ou reprodutiva do homem, caso o outro testículo esteja normal. O paciente deve ser acompanhado para verificar a necessidade de outras terapêuticas complementares, como radioterapia ou quimioterapia.

Incontinência Urinária é a perda involuntária de urina, e acomete 20-30% da população acima dos 60 anos de idade, sendo 2 vezes mais frequente nas mulheres.
Pode ser classificada, simplificadamente, em 3 tipos:
- Incontinência Urinária de Esforço: quando há perda involuntária de urina ao tossir, rir, fazer exercícios físicos, etc. (Vide tópico Incontinência Urinária de Esforço)
- Incontinência Urinária de urgência: quando há perda de urina acompanhada ou imediatamente precedida por urgência (desejo súbito, imperioso e inadiável de urinar). (Vide tópico Bexiga Hiperativa).
- Incontinência Urinária mista: associação dos dois tipos anteriores.

Causas
Genética, hormonais, envelhecimento, tabagismo, obesidade, múltiplas gestações e partos vaginais trabalhosos, bexiga hiperativa (vide tópico Bexiga Hiperativa), lesões medulares ou doenças do sistema nervoso, cirurgias, etc.

Prevenção
A prevenção se dá com a correção dos fatores causais, através de mudanças de hábito (cessação do tabagismo, perda de peso, acompanhamento obstétrico adequado). Pode-se, ainda, utilizar exercícios para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico (musculatura que sustenta a uretra, bexiga, reto, útero e vagina), que são melhor orientados por fisioterapeutas capacitados em reabilitação do assoalho pélvico. Essa medida profilática é especialmente importante para as pacientes gestantes, principalmente na primeira gestação.

Investigação
A abordagem diagnóstica da incontinência urinária inclui: entrevista do paciente para coleta da história clínica, exame físico, avaliação do diário miccional, exames de urina para exclusão de infecção das vias urinárias, avaliação do trato urinário com exame de imagem (usualmente através de ultrassonografia das vias urinárias). A avaliação urodinâmica (ESTUDO URODINÂMICO) é um exame muito importante para definição da gravidade e do tipo de Incontinência, principalmente quando os sintomas de incontinência de esforço e de urgência se superpõem, ou quando se considera a necessidade de tratamento cirúrgico.

Tratamentos
É importante ressaltar que a perda involuntária de urina não é um achado normal do envelhecimento e que há tratamentos eficazes, que buscam devolver a qualidade de vida ao paciente.
Os tratamentos dependem do tipo de incontinência, e podem envolver fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos e cirurgias. Para os casos de bexiga hiperativa há ainda outras opções, como a administração de toxina botulínica diretamente no músculo da bexiga

A Incontinência Urinária de Esforço é a perda involuntária de urina decorrente do aumento da pressão abdominal (tosse, espirro, esforço físico). Ela corresponde a cerca de metade dos casos de incontinência nas mulheres. Em um terço dos casos de incontinência feminina, a incontinência de esforço é acompanhada de urgência miccional, caracterizando a Incontinência Urinária Mista.
O tratamento inicial envolve alterações de estilo de vida e de comportamento e exercícios de treinamento da musculatura do assoalho pélvico. Dentre as mudanças comportamentais, destacamos: micção em intervalos programados (treinamento vesical), perda de peso para pacientes obesos, controle da constipação e cessação do tabagismo no intuito de diminuir a tosse crônica.
Exercícios de treinamento da musculatura do assoalho pélvico (musculatura que sustenta a uretra, bexiga, reto, útero e vagina) podem ser oferecidos como primeira linha de tratamento da Incontinência Urinária de Esforço, de preferência supervisionados por fisioterapeutas especialistas em reabilitação do assoalho pélvico. Existem condições que costumam predizer maior insucesso no tratamento com fisioterapia, como: Incontinência Urinária de Esforço severa (baseada em dados clínicos e de exames complementares, como o Estudo Urodinâmico), insucesso de tratamento fisioterápico anteriormente realizado para perda de urina, trabalho de parto prolongado e doenças associadas com a piora do estado geral da paciente.
A eficácia do tratamento conservador inicial usualmente é reavaliada após cerca de 8-12 semanas, de forma a identificar possíveis falhas no tratamento conservador que indiquem necessidade de tratamento cirúrgico.
Em casos de Incontinência Urinária de Esforço Severa ou Incontinência Urinária de Esforço não responsiva a tratamento conservador, indica-se o tratamento cirúrgico para correção da doença.
Na CLIU contamos com profissionais capacitados para investigação e tratamento completo da Incontinência Urinária de Esforço, com fisioterapeutas e urologistas especializados em Urologia Feminina.

A Bexiga Hiperativa é uma condição definida como urgência miccional, acompanhada ou não de incontinência de urgência, usualmente associada com aumento da frequência miccional diurna e noturna (conhecida como noctúria). A prevalência de sintomas da Bexiga Hiperativa na população adulta de ambos os sexos chega a 17%. Destes, um terço apresenta episódios de incontinência Urinária, resultando em diminuição da qualidade de vida e capacidade de trabalho dos pacientes, além de gerar um imenso custo financeiro ao sistema de saúde e à sociedade. Nas mulheres, a Bexiga Hiperativa costuma estar mais associada a Incontinência de Urgência que nos homens. Nestes, a Bexiga Hiperativa muitas vezes está associada à Hiperplasia Prostática Benigna (vide tópico correspondente).
As causas da Bexiga Hiperativa não estão bem estabelecidas, mas envolvem múltiplos fatores como: anormalidades neurológicas, alterações na musculatura do assoalho pélvico, além de fatores comportamentais. Dentre os fatores de risco encontramos o envelhecimento, número de gestações e partos, obesidade, constipação crônica e doenças neurológicas.
O tratamento da Bexiga Hiperativa envolve intervenções no estilo de vida, como perda de peso, diminuição da ingesta de cafeína, cessação do tabagismo e micções em intervalos programados (treinamento vesical). O treinamento da musculatura do assoalho pélvico através da fisioterapia do assoalho pélvico também pode ser indicado como primeira linha de tratamento. Além do treinamento vesical, durante a fisioterapia pode ser realizada eletroestimulação vaginal, ou estimulação percutânea do nervo tibial, com comprovada melhora dos sintomas de Bexiga Hiperativa.
Além disso, existe o tratamento farmacológico, que utiliza uma classe de medicamentos denominados anticolinérgicos, com elevada taxa de eficácia.
Naqueles pacientes com falha do tratamento conservador e farmacológico, pode-se utilizar a injeção da toxina botulínica na parede da bexiga, procedimento feito sob anestesia por cistoscopia (endoscopia da bexiga). Esse tratamento resulta em melhora dos sintomas de Bexiga Hiperativa por períodos mais prolongados (6 meses ou mais).
Tratamento cirúrgico mais agressivo, como ampliação da bexiga, está reservada para raros casos que não respondem aos tratamentos menos invasivos.

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é responsável por grande parte das consultas urológicas, afetando cerca de 20-30% das mulheres ao longo da vida, sendo causa de 40% das infecções contraídas durante uma internação hospitalar.
Na mulher é muito comum a ocorrência de infecção do trato urinário baixo (ou cistite), que se caracteriza por dor ou ardência ao urinar, urgência miccional, aumento da frequência miccional diurna e noturna e dor no andar inferior do abdome. Febre não costuma ser um sintoma presente na cistite não complicada.
O diagnóstico da cistite pode ser feito com base na história clínica e exames de urina (EAS e urocultura com antibiograma). A urocultura só pode ser dispensada em episódios isolados de cistite não complicadas em mulheres saudáveis e não grávidas na pré-menopausa. A urocultura é um exame fundamental na infecção urinária de repetição e na infecção urinária complicada. Nesses casos ainda estão indicados exames de imagem do trato urinário, usualmente a ultrassonografia das vias urinárias.
O tratamento é feito através de medicações antibióticas, que devem ser prescritas pelo médico.

A infecção Urinária de repetição (ITU de repetição) é caracterizada por dois ou mais episódios de infecção urinária durante um ano, e é muito comum nas mulheres, devido a fatores anatômicos (menor comprimento da uretra feminina, o que facilita a entrada de bactérias na bexiga) e comportamentais (maus hábitos miccionais e de ingesta hídrica).
A ITU de repetição é mais comum em idosas e mulheres com vida sexual ativa. Doenças sistêmicas (como o diabetes melitus) e anormalidades do trato urinário também podem facilitar o aparecimento de cistite de repetição. Devido ao seu caráter cíclico, as cistites de repetição podem levar mais facilmente ao aparecimento de infecção de trato urinário superior (infecção renal ou pielonefrite). O diagnóstico da cistite de repetição é feito através do quadro clínico típico de dor ou ardência ao urinar, urgência miccional, aumento da frequência miccional diurna e noturna e dor no andar inferior do abdome. Além disso, são necessários exames de urina (EAS e urocultura com antibiograma) para definição da bactéria causadora da infecção e de seu perfil de resistência aos antibióticos, pois as pacientes com cistite de repetição tem maior possibilidade de desenvolver resistência bacteriana devido ao uso frequente de antibióticos. Exames de imagem como ultrassonografia das vias urinárias podem ser necessários para excluir alterações do trato urinário que contribuam para o aparecimento, perpetuação e complicação da infecção, como cálculos ou obstruções das vias urinárias.
O tratamento da crise de cistite é feito com antibióticos prescritos por médico. Além disso deve-se instituir uma terapia no sentido de prevenir a ocorrência de novos episódios de infecçãourinária. A primeira linha de tratamento envolve alterações comportamentais (veja aba Dicas de Saúde). Em alguns casos, a Fisioterapia do Assoalho Pélvico pode ser de grande utilidade. Outros métodos de prevenção da ITU de repetição são: consumo de Cranberry (que dificulta a aderência das bactérias causadoras de ITU à parede da bexiga) e uso de vacina oral, ambos possuindo eficácia variável na diminuição da recorrência dos episódios de cistite, sem induzir resistência das bactérias aos antibióticos.
O uso de antibióticos em baixas doses por tempo prolongado (mínimo de 90 dias) é eficaz na diminuição da recidiva da ITU de repetição, mas está associado ao aumento da resistência bacteriana.

A síndrome da bexiga dolorosa ou cistite intersticial (SBD/CI) é uma condição clínica de difícil definição, caracterizada por quadro crônico de dor, pressão, desconforto ou espasmos em andar inferior do abdome ou bexiga, acompanhada de pelo menos um dos sintomas urinários: aumento da frequência miccional diurna ou noturna e urgência miccional. A dor e o desconforto pélvico geralmente se relacionam com o enchimento vesical, e costumam aliviar após o esvaziamento vesical. A urgência está relacionada à dor, e não ao medo de incontinência urinária. A maioria dos pacientes relata piora dos sintomas após a ingestão de certos tipos de alimentos ou bebidas.
O diagnóstico diferencial é feito com bexiga hiperativa, endometriose, cálculos urinários, infecção urinária e neoplasia.
A prevalência da SBD/CI varia de 0,3% a até 11%. Nos Estados Unidos, estima-se que mais de 1.000.000 de pessoas sofram dessa doença. Cerca de 80 a 90% dos pacientes afetados são mulheres. Existe forte associação da SBD/CI com fibromialgia, síndrome do intestino irritável, endometriose, alergias, doenças autoimunes e depressão.
A etiopatogenia da SBD/CI é ainda desconhecida, mas supõe-se que exista uma agressão inicial ao urotélio (camada que recobre interiormente a bexiga), levando a uma alteração da sua estrutura, resultando em reação inflamatória e aumento da sensibilidade da bexiga. Recentemente a doença têm sido atribuída a causas imunológicas. Observou-se que até 40% dos indivíduos portadores de cistite intersticial podem sofrer de doenças alérgicas, o que representa o dobro da população em geral. Doenças autoimunes (agressão do organismo pelo próprio sistema imunológico) como o lúpus eritematoso sistêmico também são mais comuns em pacientes com cistite intersticial.
Não há um exame específico que permita diagnosticar a cistite intersticial. O diagnóstico da doença é muitas vezes difícil. É comum que transcorram vários anos e muitos médicos sejam consultados antes que se tenha o diagnóstico definitivo. Geralmente a avaliação cuidadosa dos sintomas e o exame médico são suficientes para considerarmos esse diagnóstico.
Exames endoscópicos da bexiga, biópsia, ESTUDO URODINÂMICO e outros testes podem ser úteis em casos selecionados. A avaliação urodinâmica muitas vezes é utilizada para diagnóstico diferencial com a bexiga hiperativa.
O tratamento é multifatorial, e as pessoas acometidas da doença frequentemente apresentam períodos de melhora ou piora modificando a resposta ao tratamento. Alguns estudos sugerem que mais de 90% pessoas conseguem identificar algum tipo de alimento, bebidas ou suplementos alimentares que provocam piora dos sintomas. Para alguns, os sintomas podem piorar até cerca de 4 horas após o consumos desses alimentos. Sendo assim, a eliminação de alguns alimentos pode trazer benefícios, como café, bebidas alcoólicas, alimentos temperados, temperos industrializados, vinagre e molhos para saladas.
Técnicas multimodais comportamentais, físicas e psicológicas devem ser consideradas paralelamente com tratamento medicamentoso oral para SBD/CI. Os exercícios físicos liberam endorfinas, substâncias que causam uma sensação de prazer e alteram os níveis de percepção da dor. A fisioterapia com treinamento vesical e exercícios pélvicos específicos têm sido cada vez mais valorizados e frequentemente são recomendados em quase todos os esquemas de tratamento.
Há vários medicamentos orais que podem ser utilizados, muitas vezes agindo de maneiras diferentes.
Medicamentos instilados no interior da bexiga (intravesicais) podem ser utilizados no intuito de reconstituir a camada protetora da bexiga.
Recentemente, injeções de toxina botulínica na parede da bexiga também tem se mostrado úteis nos casos de falha do tratamento medicamentoso oral ou intravesical.
A ressecção transuretral (ou coagulação a laser) de lesões inflamatórias identificadas à cistoscopia também podem resultar em melhora dos sintomas. Tratamentos cirúrgicos mais agressivos são considerados de exceção.

O câncer constitui a segunda causa principal de morte entre os homens brasileiros, segundo dados epidemiológicos da Organização Mundial de Saúde (OMS). Dentre as neoplasia malignas com maior número de mortes, o Câncer de Próstata figura em segundo lugar, perdendo apenas para o câncer de pulmão. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer do Brasil (INCA), de cada 100.000 brasileiros, 13 faleceram em decorrência do câncer de próstata entre o período de 2000 a 2009.
Baseado na prevalência e importância dessa neoplasia, a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda, para diagnóstico precoce da doença, a combinação dos dados obtidos pelo toque retal e pela dosagem sanguínea do antígeno prostático específico (PSA) total. Da mesma forma, outras organizações internacionais renomadas e respeitadas, como a Associação Norte-Americana de Urologia (AUA) e a Associação Europeia de Urologia (EAU), reconhecem o valor do rastreamento do câncer de próstata pela dosagem do PSA total e exame digital da próstata.
Recentemente veio à tona nos meios de comunicação uma polêmica recomendação desfavorável ao uso rotineiro da dosagem sanguínea do PSA total, feita pela Força-tarefa Norte-americana em Serviços Preventivos (US preventative services task force – USPSTF). Essa recomendação contra o uso de PSA foi baseada, principalmente, em dois grandes estudos: o norte-americano Prostate, Lung, Colorectal and Ovarian Cancer Screening Trial (PLCO) e o europeu European Randomized Study os Screening for Prostate Cancer (ERSPC). O primeiro não demonstrou diminuição da mortalidade por Câncer de Próstata com rastreamento anual de PSA, após 10 anos de seguimento. O segundo também não apresentou diminuição da mortalidade entre homens de 50 a 74 anos após 9 anos de seguimento.
Sabe-se que, sem tratamento, boa parte dos homens com câncer de próstata ainda estarão vivos dez anos após o diagnóstico. No entanto, o ERSPC apresentou seguimento de apenas 8,8 anos, e o PLCO conseguiu seguir a maior parte dos pacientes (98%) por apenas 7 anos, perdendo seguimento de mais de 30% dos pacientes após 10 anos. Considerando a história natural do Câncer de Próstata, observa-se que o período de seguimento foi insuficiente para permitir conclusões a respeito do benefício do rastreamento na mortalidade do câncer de próstata.
Além disso, o USPSTF não mencionou os efeitos positivos do rastreamento com PSA na preservação da qualidade de vida dos paciente com câncer de próstata, como diminuição da incidência de dor lombar excruciante, fraturas ósseas e outros sintomas decorrentes de metástases na ocasião do diagnóstico de Câncer de Próstata. O próprio estudo ERSPC observou uma redução de 40% no risco de metástases com uso rotineiro do PSA. Além disso, dados estatísticos demonstram que a presença de metástases ósseas no momento do diagnóstico de Câncer de Próstata caiu de 1:5 (20%) em 1990 (era pré-PSA) para 1:25 (4%) nos dias atuais.
Observam-se, ainda, falhas metodológicas nos dois estudos, como numero inadequadamente pequeno de pacientes realmente seguidos e ”contaminação” do grupo controle com pacientes que fizeram dosagem de PSA. Além disso, dados favoráveis ao rastreamento com PSA oriundos de alguns estudos avaliados foram inexplicavelmente subvalorizados pela força-tarefa norte-americana (USPSTF).
Baseados nesses fatores, a utilização inteligente da dosagem sanguínea do PSA total como ferramenta de rastreamento precoce do Câncer de Próstata para redução das taxas de mortalidade e complicações decorrentes dessa neoplasia maligna continua sendo recomendada pelas sociedades urológicas na atualidade.

A infecção do trato urinário (ITU) é definida pela presença de microorganismos na urina em qualquer parte do aparelho urinário.
Tanto nos meninos como nas meninas, o agente mais comum é a Escherichia coli, bactéria da flora intestinal, responsável por 80% a 95% dos casos de ITU, podendo ser encontrados outros microorganismos como estafilococo, proteus e klebisiela.
A ITU pode, também, ser causada por vírus (adenovírus), fungos e o bacilo da tuberculose.
A infecção do trato urinário (ITU)é a mais freqüente infecção em crianças após a infecção respiratória.
Nos primeiros 6 meses de vida, a ITU ocorre mais nos meninos devido ao maior número de malformações congênitas do trato urinário.
Após o primeiro ano de vida, o predomínio da ITU é nas meninas.

A principal via de contaminação do trato urinário é a ascendente, a partir da flora bacteriana da região perianal. A contaminação da urina por via sangüínea é excepcional.

Quando suspeitar?

Nas crianças maiores a ITU pode apresentar-se com sintomas urinários semelhantes aos dos adultos: ardência, urgência e freqüência urinária aumentada. Nas crianças menores podem surgir sintomas diferentes e apresentar-se por irritação, falta de apetite, emagrecimento e medo de urinar. Algumas vezes, ocorrem sintomas digestivos com dor abdominal, náuseas, vômitos, diarréia.
Nos recém-nascidos e menores de 1 ano de idade os sintomas podem ser inespecíficos, manifestando-se com febre e queda do estado geral.
Deve-se suspeitar de ITU em toda criança que apresentar febre não tiver uma causa definida.

Como se faz o diagnóstico?

Quando as queixas urinárias são sugestivas, a indicação do diagnóstico de ITU se faz pela presença de leucócitos e bactérias no exame de urina, sendo a confirmação feita pela identificação da bactérias na urocultura.
Colher uma urina confiável é fundamental, porque a presença ou ausência de bactérias define o diagnóstico.

Quando se deve investigar uma ITU?

A ecografia do aparelho urinário é obrigatória após o primeiro episódio de infecção urinária para afastar a presença de fatores predisponentes congênitos ou adquiridos e, principalmente, obstrutivos. É importante que se determine se há malformações e alterações da estrutura funcional do aparelho urinário.
Outros estudos serão realizados, se necessário, em caso de identificação de alguma malformação ou alterações renais ou da beixga.

Como se trata?

A ITU nas crianças deve ser tratada precoce e intensamente visando à erradicação do processo infeccioso. Quanto mais precoce, menos cicatrizes e defeitos estruturais vão ocorrer.
Além do tratamento por antibióticos, a ingestão de líquidos deve ser abundante, cuidando que as micções sejam sempre as mais completas possíveis.
Nos casos de infecção urinária de repetição e/ou malformação estrutural, pode ser necessário o uso de antibiótico continuamente por longos períodos.

Quais são as preocupações em relação a ITU?

As infecções urinárias não complicadas têm uma evolução boa, se não forem episódios muito frequentes.
As dificuldades de tratamento e evolução ocorrem mais nas infecções urinárias complicadas por fatores obstrutivos, doenças neurológicas (bexiga neurogênica), malformações congênitas e na presença de refluxo vésico-ureteral.
Na literatura médica vários estudos mostram que das crianças que tiveram infecção urinária, 23% delas eram hipertensas, 10% tinham insuficiência renal crônica, 7% eram transplantadas e 3% estavam em diálise.
Já que cerca de 50% das crianças evoluíram com uma ou mais alterações renais importantes é importante que se faça o diagnóstico precoce e tratamento adequado em todos os casos de infecção urinária em crianças, principalmente naqueles que apresentam malformações congênitas.

Criptorquidia ou testículo não descido é a condição médica na qual não houve uma descida correta do testículo da cavidade abdominal (onde se desenvolve na vida intrauterina) para o escroto.
É muito comum em bebês prematuros e afeta 3 a 4% dos bebês a termo. Aproximadamente 65% dos testículos descem por volta dos nove meses de gestação.

Criptorquidia X Testículo retrátil

Quando o testículo é palpável no escroto considera-se que desceu, ainda que possa estar retrátil posteriormente.
O testículo retrátil ocupa o escroto, mas ocasionalmente (e temporariamente) retorna ao canal inguinal, por ação da força do reflexo muscular (reflexo cremastérico) que retrai os testículos antes da puberdade.
Esta condição não requer nenhum tratamento pois normalmente corrige, de modo espontâneo, antes de adolescência, sendo considerada uma variante normal.

Quando e Por que deve-se tratar a criptorquidia?

O testículo que não desce até ao primeiro ano de idade deve ser avaliado com cuidado, sendo nesta idade aconselhada uma cirurgia definitiva para reduzir a probabilidade de lesão testicular permanente (infertilidade e risco de câncer).
Os testículos que não descem naturalmente ao escroto têm maior probabilidade de desenvolver câncer após a puberdade, mesmo que levados ao escroto, com risco aumentado quanto mais tardio for o tratamento.

Como é feito o diagnóstico?

Em geral a criptorquidia não apresenta sintomas, exceto quando o testículo apresentar alguma complicação, como infecção (orquite), torção ou tumor.
O diagnóstico é realizado pelo exame clínico, durante o qual o testículo não é detectado no escroto.
Quando os testículos não são palpáveis ao exame físico, está indicada a exploração abdominal videolaparoscópica.
O uso da ultrassonografia (US) e da ressonância magnética (RNM) não tem muito valor diagnóstico, já que o exame físico, em mãos experientes, é bastante confiável.
A não identificação do testículos nestes exames, nos casos impalpáveis, não é certeza de que eles não existam, sendo obrigatória a exploração cirúrgica.

Após o primeiro ano de vida, a retração do prepúcio (pele do pênis) para trás do sulco da glande só é possível em cerca de 50% dos meninos.
A fimose pode ser primária (fisiológica) sem sinais de fibrose, ou secundária (patológica), resultante de fibrose devido a doenças tais como a balanite xerótica obliterante ou trauma (tração repetitiva do prepúcio).

Como e quando tratar a fimose?

O tratamento cirúrgico da fimose raramente é indicado antes do quinto ano de vida, a não ser nos casos de fimose secundária, que é indicação absoluta para postectoplastia (plástica do prepúcio).
As indicações para cirurgia precoce (antes de 5 anos) nos casos de fimose primária são a balanopostite recorrente e infecção urinária em pacientes com malformações urológicas.

A fimose tem tratamento sem cirurgia?

Tratamento conservador é uma opção nos casos de fimose primária, podendo ser feito com a aplicação de uma pomada ou creme de corticóides por um período de pelo menos 60 dias.

A hidrocele é o acumulo anormal de líquido ao redor de um ou ambos os testículos.
Pode ser comunicante ou não-comunicante.
Na hidrocele comunicante, assim como na hérnia inguinal, a causa é a persistência de um canal (conduto peritôniovaginal), presente durante a vida fetal, que deve desaparecer após o nascimento. Sua abertura permite a passagem de líquido para região da bolsa testicular.
Já na hidrocele não-comunicante há o fechamento do canal, porém com acúmulo de líquido ocorre antes do fechamento.

Como fazer o diagnóstico?

O sintoma mais característico é o aumento indolor do volume da bolsa testicular, uni ou bilateral, podendo ser discreto ou exacerbado. As hidroceles de grande volume, mesmo não sendo dolorosas, podem causar desconforto devido ao seu tamanho.
O diagnóstico é feito através do exame físico, identificando -se o aumento do escroto devido a presença de líquido.
Na hidrocele comunicante ocorre variação do volume da bolsa testicular durante o dia. Normalmente a criança acorda com a bolsa testicular de volume normal e apresenta aumento com o passar do dia.
A ultrassonografia pode auxiliar no diagnóstico, permitindo a visualização detalhada dos testículos e das estruturas existentes dentro da bolsa testicular.

Quando e Como tratar?

Nos casos de hidrocele não-comunicante opta-se pelo acompanhamento do paciente até 6 a 12 meses de vida, até quando ocorre a absorção do líquido na maioria dos casos.
Na hidrocele comunicante ou nas não-comunicantes de grande volume, o tratamento recomendado sempre é o cirúrgico, devido a persistência do conduto peritonio-vaginal.

Dicas de Saúde

Muita gente acha que Urologia é uma especialidade voltada para atendimento exclusivo de homens, e Ginecologia, para mulheres. Errado! O Urologista trata das doenças do trato urinário (Rins, Ureteres, Bexiga e Uretra) de homens e mulheres, além de problemas do trato genital masculino. Portanto, o urologista também cuida de mulheres.

Com relação especificamente à Urologia Feminina (antigamente denominada Uroginecologia), observa-se que as mulheres estão muito suscetíveis a problemas urinários, podendo sofrer alterações no sistema urinário durante a gravidez, no parto e quando chegam à menopausa. As infecções (cistites), a litíase urinária (pedra nos rins) e a incontinência urinária são problemas que afetam ambos os sexos.

A incontinência urinária acomete um número bastante elevado de mulheres em sua fase produtiva, com aumento da prevalência ao longo da vida. Ela está presente em cerca de 1/3 das mulheres após os 60 anos de idade. É um problema urológico que interfere na vida social da paciente, comprometendo a qualidade de vida e a auto-estima das mulheres afetadas, podendo, inclusive, levar à depressão. Apesar disso, muitas mulheres acreditam, erroneamente, que a incontinência urinária faz parte do processo de envelhecimento, de forma que menos da metade das pacientes acometidas procuram atendimento médico especializado para tratamento. Outro conceito errado: Perder urina involuntariamente não é normal!

Os principais problemas urológicos que acometem as mulheres são:

- Bexiga Hiperativa

- Incontinência Urinária

- Cistite Intersticial

- Infecção Urinária

- Prolapsos de Órgãos Pélvicos ou Distopias Genitais: Popularmente conhecidos como Bexiga Caída, resultam em sensação de peso ou "bola" na vagina das pacientes acometidas. Ocorrem devido a um enfraquecimento das estruturas do assoalho pélvico e exigem tratamento especializado, seja fisioterapêutico ou cirúrgico, com Urologista especializado em Urologia Feminina.
- Fístulas Urogenitais: Comunicações patológicas do trato urinário com o trato genital, normalmente devido a complicações de cirurgias e procedimentos urogenitais prévios.

Procure ingerir, no mínimo 2 a 3 litros de líquidos por dia:
Tome água, limonada com adoçante e chás de ervas (camomila, erva-doce, cidreira, hortelã) ao natural ou com adoçante. Consuma quente ou gelado e de preferência, adicionado de limão. Evite adoçar com açúcar, mel ou açúcar mascavo, pois aumenta a quantidade de calorias da bebida. Evite refrigerantes ou sucos em pó e artificiais. Prefira os sucos naturais e sem adição de açúcar.
Lembre-se: para avaliar se a quantidade de líquidos consumida está adequada, observe a urina, que sempre deve estar clara e límpida. Caso contrário, a quantidade de líquidos ingerida deverá ser aumentada.

Cuidado com o sal!
Use o mínimo de sal possível no preparo dos alimentos e não adicione sal na comida. Prefira temperos naturais de ervas para dar sabor e aroma: orégano, salsinha, cebolinha, limão, coentro, salsão ou outros de sua preferência e evite:
- Azeitonas, bacalhau, salgadinhos, queijos amarelos, temperos e molhos prontos (catchup, mostarda, shoyu, caldos concentrados, molho inglês, sopas de pacote, cubos de caldos de carne e outros), produtos com glutamato monossódico, embutidos (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, salame, paio, carne seca);
- Conservas (picles, azeitona, aspargo, palmito, milho, patês, algas, chucrutes, maionese pronta);
- Enlatados (extrato de tomate, milho, ervilha, seleta de legumes e outros)
- Carnes salgadas (charque, camarão seco, defumados);
- Salgadinhos para aperitivos (batata frita, amendoim salgado, castanhas, chips);
- Bolachas salgadas, recheadas, margarina ou manteiga com sal, requeijão normal ou light.
Procure ler os rótulos, pois muitos alimentos industrializados possuem sódio ou glutamato monossódico na composição e não devem ser consumidos.

Frutas: Consuma pelo menos 3 a 4 ao dia: Dê preferência à laranja, tangerina e melão. Consuma limonada e laranjada preparadas com a fruta natural, pois o ácido cítrico contido nestas frutas pode auxiliar a evitar a formação dos cálculos. Não use sucos artificiais ou refrigerantes. Frutas vermelhas ou sucos de cranberry, framboesa e morango possuem alta concentração de protetores contra infecções.
Legumes cozidos ou crus e verduras de folha devem fazer parte das duas refeições principais (almoço e jantar), pois contém vitaminas, minerais e fibras, auxiliando no bom funcionamento intestinal, na prevenção de doenças e no aumento da resistência do organismo.
Não deixe de consumir leite e seus derivados: No geral, não há necessidade de restringir o consumo de cálcio, um tabu que ainda é muito difundido. Consuma pelo menos três copos ao dia, de preferência desnatados: iogurte light, ao natural, coalhada, queijo branco magro com pouco sal, ricota ou leite desnatado em pó. Somente reduza a quantidade de leite se for orientado pelo seu médico ou pelo nutricionista.
Prefira os alimentos integrais aos refinados, pois contém fibras que auxiliam no funcionamento intestinal: arroz e macarrão integral, biscoitos e pão integral light (sem adição de açúcar e gordura). No entanto, a quantidade destes alimentos deve ser controlada caso necessite perder peso, seguindo a orientação do nutricionista.
Prepare os alimentos sempre grelhados, assados ou cozidos. Evite frituras e empanados, pois são muito calóricos.
Consuma uma porção de carne ou substitutos (peixe, frango sem pele ou ovo), no almoço e jantar, evitando excessos. Prefira as carnes magras. Evite churrascos, pois contém muita gordura e excesso de sal. Não utilize suplementos de vitaminas ou minerais, sobretudo a vitamina C sem a prescrição do médico, pois podem propiciar a formação de cálculos.
Evite exageros com café, bebidas achocolatadas e chocolate, chá preto, mate ou verde, espinafre, nozes, mariscos e frutos do mar. Estes alimentos podem contribuir na formação de cálculos, pois são ricos em oxalato.
Algumas situações de cálculos de repetição são causadas por alterações específicas e são identificadas pelo urologista, merecendo aí um tratamento individualizado.
Além de tudo isso, procure realizar uma atividade física regular, pois auxilia na perda de peso e na manutenção da saúde. Portanto, procure caminhar ou fazer alguma atividade com regularidade.
Lembre-se: mantenha-se sempre bem hidratado durante as atividades, pois neste momento pode haver o início de algum cálculo renal devido à falta de água!
Seguindo estas orientações, as chances de formação de novos cálculos diminuem de 20 a 70%.

A prevenção da infecção Urinária de Repetição deve ser feita através de alterações comportamentais: aumentar a ingestão de líquidos; urinar em intervalos regulares (a cada 2-3horas); evitar ficar longos períodos sem urinar; evitar urinar com pressa ou em pé, de forma a propiciar um adequado esvaziamento da bexiga; urinar antes e depois das relações sexuais; não utilizar ducha higiênica direcionada para a vagina e uretra; realizar correta higiene íntima, evitando contaminação vaginal e uretral; corrigir a constipação.
Algumas mulheres com infecção urinária de repetição possuem disfunção miccional, que se caracteriza por um comportamento miccional anormal adquirido em mulheres sem alterações neurológicas,
resultando em sintomas de urgência, aumento da frequência miccional, diminuição do jato urinário e sensação de mau esvaziamento vesical. Estas pacientes beneficiam-se de fisioterapia de reabilitação do assoalho pélvico na prevenção da recorrência das infecções urinárias